07/09/10

Radiância

O que vês?

Ainda te vês?

Está turvo, não opaco.

A chuva do tempo cristaliza a Essência, marca imaterial, vívida, invisível, fulgorante, nas asas em que voaste.

Levavam-te, há muitas nuvens atrás, quando sonhar era viver e querer era sentir, por dias espectrais, e por noites onde se acorda,
quando se começa a dormir.

Cai a chuva e marca onde. Sem Essência se fica. Não se fica sem si, fica-se por onde se passa e onde se sorri.


Fecho os olhos para conseguir ver.
E vejo, vejo, vejo..
E quando olho o meu reflexo,
Eu, ainda me vejo..

06/04/10

espaço-tempo

Falamos um dia, onde? Sobre quê? Sobre nós, sobre tudo, sobre nada? Falamos um dia quando não houver nada para dizer? Quando já estiver tudo dito? Falamos um dia em que o tempo nos tenha tornado tão angustiados e incompatibilizados que jã não queiramos falar? Num dia em que a única semelhança entre nós seja o desapego mútuo? De dois corpos que se querem e de duas entidades que não conseguem co-existir? Não sei que dia vai ser esse, mas vai ser um dia de chuva..


02/03/10

Não me recordo daquilo com que sonhei.

O usual é não me recordar
E não durmo mal a isso devido,
Nunca as respostas que procurei
Introspectivamente as encontrei,
E se as tenho descoberto, só metade,
De cada verdade, as tomaria por certo.

O que me inquieta
É esta visão fátua
Deste sonho.

Senti que durou uma eternidade
Uma Eternidade!
E de nada me lembro.

Os sonhos serão
Um êxtase vão
Um canto da sereia
O acordar da desilusão.