José Carvalho deitou-se tal e qual sempre fez
Quando acordou reparou que sua pele tinha outra tez.
Olhou em volta, no seu quarto não se encontrava
E se não era um sonho.. "Morri!"- gritava.
Anda um. Anda dois. Três passos de veloz maneira
E avista bem longe dois amigos sentados em sagaz cavaqueira.
Um deles nota:-"Outra vez não, outro desnorteado humano."
Riposta o outro:-"Deve vir à procura de seu suserano"
Logo um se lembra e diz, denotando um tom de malvadez
-"Engrendemos uma marosca como tal ninguém lhe fez"!
Ajeitam as cadeiras. Adoptam íntegra postura.
O fulano reconhece a situação e aproxima-se com bravura.
"Bem-vindo sejas. Conta-me os teus pecados mortais.
Os que considerares significativos entre os demais"
José Carvalho conta devotamente suas peripécias terrenas.
Os amigos soltam risos bem mais sentidos que o das hienas.
Apercebe-se J.C. da sua ingenuidade e suspira.
"Até no além impera a lei da mentira..
"Porque gozam com Ele? Não temem pelos seus?"
Responde um: "Ele não existe e eu sempre fui o meu Deus."